AMOR, ESSÊNCIA DA ALMA

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

CORA CORALINA/ POESIAS

Se temos de esperar,

que seja para colher a semente boa
que lançamos hoje no solo da vida.
Se for para semear,
então que seja para produzir
milhões de sorrisos,
de solidariedade e amizade.

Cora Coralina
FONTE; INTERNET
  1. Mãe

    Renovadora e reveladora do mundo
    A humanidade se renova no teu ventre.
    Cria teus filhos,
    não os entregues à creche.
    Creche é fria, impessoal.
    Nunca será um lar
    para teu filho.
    Ele, pequenino, precisa de ti.
    Não o desligues da tua força maternal.

    Que pretendes, mulher?
    Independência, igualdade de condições...
    Empregos fora do lar?
    És superior àqueles
    que procuras imitar.
    Tens o dom divino
    de ser mãe
    Em ti está presente a humanidade.

    Mulher, não te deixes castrar.
    Serás um animal somente de prazer
    e às vezes nem mais isso.
    Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
    Tumultuada, fingindo ser o que não és.
    Roendo o teu osso negro da amargura.


    ++++++++++++++
    Este é um poema de amor

    tão meigo, tão terno, tão teu...
    É uma oferenda aos teus momentos
    de luta e de brisa e de céu...
    E eu,
    quero te servir a poesia
    numa concha azul do mar
    ou numa cesta de flores do campo.
    Talvez tu possas entender o meu amor.
    Mas se isso não acontecer,
    não importa.
    Já está declarado e estampado
    nas linhas e entrelinhas
    deste pequeno poema,
    o verso;
    o tão famoso e inesperado verso que
    te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
    eu te amo, perdoa-me, eu te amo...
    "Poeminha Amoroso"

    “Humildade


    Senhor, fazei com que eu aceite
    minha pobreza tal como sempre foi.

    Que não sinta o que não tenho.
    Não lamente o que podia ter
    e se perdeu por caminhos errados
    e nunca mais voltou.

    Dai, Senhor, que minha humildade
    seja como a chuva desejada
    caindo mansa,
    longa noite escura
    numa terra sedenta
    e num telhado velho.

    Que eu possa agradecer a Vós,
    minha cama estreita,
    minhas coisinhas pobres,
    minha casa de chão,
    pedras e tábuas remontadas.
    E ter sempre um feixe de lenha
    debaixo do meu fogão de taipa,
    e acender, eu mesma,
    o fogo alegre da minha casa
    na manhã de um novo dia que começa.”

    Cora Coralina

    Assim eu vejo a vida

    A vida tem duas faces:
    Positiva e negativa
    O passado foi duro
    mas deixou o seu legado
    Saber viver é a grande sabedoria
    Que eu possa dignificar
    Minha condição de mulher,
    Aceitar suas limitações
    E me fazer pedra de segurança
    dos valores que vão desmoronando.
    Nasci em tempos rudes
    Aceitei contradições
    lutas e pedras
    como lições de vida
    e delas me sirvo
    Aprendi a viver.

    Cora Coralina

    Meu Destino.

    Nas palmas de tuas mãos
    leio as linhas da minha vida.

    Linhas cruzadas, sinuosas,
    interferindo no teu destino.

    Não te procurei, não me procurastes –
    íamos sozinhos por estradas diferentes.

    Indiferentes, cruzamos
    Passavas com o fardo da vida...

    Corri ao teu encontro.
    Sorri. Falamos.

    Esse dia foi marcado
    com a pedra branca da cabeça de um peixe.

    E, desde então, caminhamos
    juntos pela vida...

    Cora Coralina

    POEMINHA AMOROSO


    Este é um poema de amor
    tão meigo, tão terno, tão teu...
    É uma oferenda aos teus momentos
    de luta e de brisa e de céu...
    E eu,
    quero te servir a poesia
    numa concha azul do mar
    ou numa cesta de flores do campo.
    Talvez tu possas entender o meu amor.
    Mas se isso não acontecer,
    não importa.
    Já está declarado e estampado
    nas linhas e entrelinhas
    deste pequeno poema,
    o verso;
    o tão famoso e inesperado verso que
    te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
    eu te amo, perdoa-me, eu te amo..."

    Cora Coralina
  2. Oração do Milho
    Sou a planta humilde dos quintais pequenos e das lavouras pobres.
    Meu gão, perdido por acaso, nasce e cresce na terra descuidada. Ponho folhas e haste e se me ajudares Senhor, mesmo planta de acaso, solitária, dou espigas e devolvo em muitos grãos, o grão perdido inicial, salvo por milagre, que a terra fecundou.
    Sou a planta primária da lavoura.
    Não me pertence a hierarquia tradicional do trigo. E de mim, não se faz o pão alvo, universal.
    O Justo não me consagrou Pão da Vida, nem lugar me foi dado nos altares.
    Sou apénas o alimento forte e substancial dos que trabalham a terra, onde não vinga o trigo nobre.
    Sou de origem obscura e de ascendência pobre. Alimento de rústicos e animais do jugo.
    Fui o angú pesado e constante do escravo na exaustão do eito.
    Sou a broa grosseira e modesta do pequeno sitiante. Sou a farinha econômica do proletário.
    Sou a polenta do imigrante e a miga dos que começam a vida em terra estranha.
    Sou apénas a fartura generosa e despreocupada dos paiois.
    Sou o cocho abastecido donde rumina o gado
    Sou o canto festivo dos galos na glória do dia que amanhece.
    Sou o carcarejo alegre das poedeiras à volta dos seus ninhos.
    Sou a pobreza vegetal, agradecida a Vós, Senhor, que me fizeste necessária e humilde
    SOU O MILHO

    Cora Coralina
Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.


O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.

Procuro semear otimismo e plan...tar sementes de paz e justiça.

Digo o que penso, com esperança.

Penso no que faço, com fé.

Faço o que devo fazer, com amor.

Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende!

Cora Coralina

O Cântico da Terra


Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

Cora Coralina

Lindo demais
Coração é terra que ninguém vê

Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Sachei, mondei - nada colhi.
Nasceram espinhos
e nos espinhos me feri.

Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Cavei, plantei.
Na terra ingrata
nada criei.

Semeador da Parábola...
Lancei a boa semente
a gestos largos...
Aves do céu levaram.
Espinhos do chão cobriram.
O resto se perdeu
na terra dura
da ingratidão

Coração é terra que ninguém vê
- diz o ditado.
Plantei, reguei, nada deu, não.
Terra de lagedo, de pedregulho,
- teu coração. Bati na porta de um coração.
Bati. Bati. Nada escutei.
Casa vazia. Porta fechada,
foi que encontrei...

Cora Coralina

Melhor do que a criatura,
fez o criador a criação.
A criatura é limitada.
O tempo, o espaço,
normas e costumes.
Erros e acertos.
A criação é ilimitada.
Excede o tempo e o meio.
Projeta-se no Cosmos


Meu Destino.

Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.

Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.

Não te procurei, não me procurastes –
íamos sozinhos por estradas diferentes.

Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida...

Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.

Esse dia foi marcado
com a pedra branca da cabeça de um peixe.

E, desde então, caminhamos
juntos pela vida...


Meu epitáfio


Morta... serei árvore,
serei tronco, serei fronde
e minhas raízes
enlaçadas às pedras de meu berço
são as cordas que brotam de uma lira.

Enfeitei de folhas verdes
a pedra de meu túmulo
num simbolismo
de vida vegetal.

Não morre aquele
que deixou na terra
a melodia de seu cântico
na música de seus versos.

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